SIM

Sobre intimidade e consentimento

Muitas vezes, é justamente com as pessoas mais próximas que temos maior dificuldade de praticar a nossa liberdade e individualidade. Nem sempre é fácil colocar limites para quem amamos, e avaliar se aquela intervenção do outro nos é benéfica ou nociva.

Os bebês humanos nascem extremamente despreparados, o que faz com que dependam dos cuidados de algum adulto para sobreviver. Com este, aprendem habilidades para ser autônomos e se comportarem adequadamente em suas famílias, grupos sociais e culturas.

Porém, por uma infinidade de variáveis – genéticas, históricas, culturais – somos diferentes uns dos outros e nem sempre vamos querer e fazer aquilo que é adequado na opinião daqueles que nos cercam.

Penso que aí entram questões relativas à liberdade. É comum que pessoas ou instituições mais poderosas queiram ditar aos outros o que devem fazer, desejar, como devem viver e se comportar. Quando olhamos para isso em nossas relações mais próximas é ainda mais complicado, porque o poder e a autoridade se misturam ou se confundem com o que é cuidado e amor. Há pais que punem seus filhos de forma violenta, justificando que os estão educando. Maridos que controlam as vidas de suas esposas, justificando que é uma forma de zelar por elas.

Qual é o limite no poder das pessoas que amamos sobre nós? O que nos é formativo e o que nos é invasivo? Esse assunto me parece com mais perguntas do que respostas, e talvez precisemos de reflexões particulares sobre nossa história e sobre quais são as situações em que temos condições de optar.

Não escolhemos as famílias em que nascemos e a maneira como fomos educadas, e muitas vezes não temos clareza de porque tomamos determinados caminhos em nossas vidas. Mas nunca é tarde para que, nos conhecendo melhor, façamos escolhas mais conscientes e pautadas em nossos próprios desejos. Nunca é tarde para dizer às nossas mães que apreciamos seus conselhos, mas que sabemos o que é melhor para nós; para dizer aos companheiros quando estamos ou não estamos a fim de transar, como queremos que o sexo seja e não precisar fingir orgasmo nenhum; nunca é tarde para construir com os filhos uma relação diferente, e pra aceitar que eles sejam diferentes do que tínhamos planejado, porque eles não têm obrigação de cumprir todas essas expectativas.

 

Por mais que pareça naturalizado nas falas de tanta gente no dia a dia, não se deixem enganar! Intrusão e amor não são a mesma coisa. Amor começa com respeito, e só você sabe o que é melhor pra você.

Gostou? Então nos ajude a espalhar esta mensagem por aí!



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *